As forças armadas dos EUA confirmaram esta terça-feira, 1 de setembro, estar a atacar alvos no Irão devido a tentativas de ataques à navegação, num momento em que as hostilidades se intensificam pela primeira vez num mês. A comunicação social iraniana noticiara pouco antes explosões a leste de Bandar Abbas.
Ao início da noite, o Irão já estaria a responder, com a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, a dar conta de ataques contra bases e interesses americanos no Médio Oriente.
“Uma operação decisiva das forças armadas iranianas em resposta ao inimigo americano teve início”, indicou a agência noticiosa, sem precisar os alvos.
Uma informação confirmada pelos Guardas da Revolução em comunicado. “Os bravos guerreiros do IRGC deram início a uma resposta lamentável aos agressores e, na primeira ação, utilizando o novo sistema de defesa aeroespacial, abateram o 50.º drone MQ9 avançado do exército americano invasor”, lia-se no comunicado citado pela Al-Jazeera.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciou nas suas redes sociais ter começado a atacar alvos no Irão às 12:00 de Washington (17:00 de Lisboa).
Today at 12 p.m. ET, U.S. forces began striking Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC) targets in Iran. The strikes follow recent attempted attacks by the IRGC against commercial shipping in the Strait of Hormuz and against American service members deployed to the region.
— U.S. Central Command (@CENTCOM) September 1, 2026
Na sua rede Truth Social, Donald Trump confirmou também os ataques. “Os ataques são de grande envergadura e potência, e constituem uma retaliação pela tentativa falhada dos iranianos de colocar minas marítimas no Estreito, que atualmente não tem minas (foram completamente removidas ou detonadas!), e elo facto de os iranianos terem disparado oito mísseis, todos eles abatidos com sucesso, contra a nossa base militar na Jordânia”, escreveu o presidente dos EUA.
E deixou nova ameaça: “Se a falhada nação do Irão retaliar por este ataque tão justificado, será novamente atingida de forma muito mais dura e em maior escala, mas esse não será o maior ataque de todos, que está à espera nas alas e, quando terminar, restará muito pouco da República Islâmica do Irão!”
A ameaça parece não ter surtido efeito, uma vez que o porta-voz dos Guardas da Revolução iranianos escreveu no X: “A América vai arrepender-se destes ataques”. E deixou promessa de um “castigo severo”.
E poucas horas depois dos ataques contra Bandar Abbas, o Irão respondia visando bases e interesses dos EUA na região.
Os Guardas da Revolução afirmaram que em “ataques cegos e desesperados”, os EUA bombardearam vários locais, incluindo zonas civis. “Ataques que reforçaram o bloqueio do Estreito de Ormuz e fortaleceram a determinação dos combatentes em reprimir as forças estrangeiras que interferem no Estreito de Ormuz”, lia-se no comunicado.
De acordo com o vice-responsável pelos assuntos políticos, de segurança e sociais da província de Hormozgan, onde se situa Bandar Abbas, não foram registadas, até ao momento, vítimas nem incidentes.
Bandar Abbas é uma cidade portuária estratégica no sul do Irão. Principal centro portuário do país, liga o Irão ao Golfo Pérsico, Mar de Omã e Oceano Índico.
Bandar Abbas é uma das principais bases da Marinha iraniana e tem instalações da Marinha do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. A sua posição permite ao Irão controlar o tráfego marítimo através de Ormuz.
É também um importante centro económico e logístico, com o porto a ser essencial para as importações e exportações iranianas e para a ligação comercial do país ao Oceano Índico.
Estes novos ataques dos EUA surgem no seguimento de outros realizados nas 48 horas que os antecederam. Primeiro os EUA atacaram a ilha de Larak no domingo à noite, alegando que o Irão se preparava para colocar novas minas numa rota marítima comercial e civil recém desminada que permitira fazer a travessia do Estreito de Ormuz.
Já na madrugada de segunda-feira, as forças armadas iranianas responderam atacando alvos militares americanos em território jordano.
Poucas horas depois, Trump garantiu que haveria uma resposta dos EUA a esses ataques iranianos. Esta parece ter acontecido na tarde deste terça-feira.
