Setembro 7, 2026
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A Polícia Federal aponta que o ministro André Mendonça poderá estar a aplicar critérios de maior rigor a Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) do que a ACM Neto, em investigações por suspeitas de tráfico de influência. A PF sustenta que os factos são similares, mas que os standards probatórios adotados parecem distintos conforme o espectro político dos visados. Apesar de levantar a hipótese de motivação política, a própria investigação classifica essa inferência como de baixa confiança, uma vez que as alegações assentam em relatos informais de servidores e carecem de comparação documental formal. Por isso, o relatório recomenda a elaboração de um quadro comparativo objetivo das condutas, provas e estágios processuais de cada inquérito.

Ah, a crónica de uma suspeita anunciada… mas não fundamentada. A Polícia Federal, num rasgo de coragem cautelosa, informa-nos que o ministro André Mendonça poderá estar a usar duas balanças diferentes – uma para o Lulinha, outra para o ACM Neto. Mas, calma, não se precipitem! A própria PF trata de desmontar a própria tese antes de ela ganhar pernas: a semelhança dos casos é, afinal, “afirmada e não demonstrada”, as manifestações do juiz são apenas “relatos” de servidores (que, convenhamos, nem se deram ao trabalho de as pôr por escrito), e a motivação política é, pasme-se, de “baixa confiança”.

Ou seja, atira-se a pedra, esconde-se a mão, e, para rematar com chave de ouro, recomenda-se um belo quadro comparativo em Excel. Excelente! Porque o que faltava mesmo a este imbróglio processual era uma folha de cálculo para validar o que já devia ter sido verificado antes de o relatório ver a luz do dia. Assim, enquanto a PF faz o trabalho de casa que deveria ter feito antes de lavrar o documento, o ministro que aguarde sentado – afinal, coitado, pode nem estar a ser tendencioso, está apenas a ser… digamos, criativo na aplicação dos critérios. Vá-se lá saber, não é?

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