Ana Paula Martins assegura que o cenário evoluiu face aos últimos dois verões
A ministra da Saúde afirmou esta sexta-feira que os tempos de espera nas urgências estão “significativamente melhores” do que há dois anos, apesar de reconhecer demoras excessivas em picos de procura, sobretudo no Algarve.
“Este ano, em agosto, estamos melhor do que em 2024 e significativamente melhor do que em 2023”, declarou Ana Paula Martins à margem de uma visita ao Hospital de Faro.
A governante destacou a evolução no Serviço Nacional de Saúde (SNS), lembrando que, nos dois anos anteriores, houve “fechos consecutivos de urgências, algo que já não se verifica”. Para a ministra, esta melhoria resulta da reorganização da resposta, destacando a referenciação de doentes e o encaminhamento dos casos menos graves para a medicina geral e familiar (cuidados primários).
Contudo, recusou considerar aceitáveis as esperas de várias horas: “Se me pergunta se podemos ficar satisfeitos por um utente esperar tanto tempo, sobretudo quando é triado como urgente — ou mesmo pouco urgente —, a resposta é, naturalmente, não.”
A titular da pasta da Saúde admitiu que o SNS enfrenta “picos de procura muito elevados”, com forte pressão no Algarve e em zonas como Barreiro, Amadora, Sintra, Lisboa e Valdevez. Questionada sobre o impacto das férias dos médicos, lembrou que “os profissionais de saúde também têm direito e precisam de descansar”.
Ana Paula Martins adiantou que a Direção Executiva do SNS está a rever a rede de referenciação, processo que conduzirá à criação de urgências metropolitanas e regionais e à reformulação da governação clínica.
“Reorganizar as urgências é um tema com 30 anos. A pressão contínua desgasta os profissionais e leva muitos a abandonar o SNS”, alertou, defendendo que a mudança exige novas rotinas e tempo, mas garantindo que o Governo não recuará.
A ministra falava na assinatura da adenda entre a ACSS, a ULS do Algarve e os municípios de Loulé e Faro para as acessibilidades do novo Hospital Central do Algarve, previsto para 2031. As autarquias vão investir um milhão de euros em acessos rodoviários e redes públicas, ficando o remanescente a cargo da administração central.
