PS acusa Montenegro de viver “mais desfasado que a Alice no País das Maravilhas”
acusa Montenegro de viver na “Alice no País das Maravilhas
O regresso das férias políticas voltou a acender a troca de acusações entre o Governo e a oposição. Em reação ao discurso de Luís Montenegro na tradicional Festa do Pontal, no Algarve, o dirigente socialista Filipe Santos Costa acusou o Primeiro-Ministro de estar “mais desfasado que a Alice no País das Maravilhas”, argumentando que a narrativa otimista da Aliança Democrática (AD) contraria a realidade sentida pelos portugueses.
Segundo o Secretariado Nacional do PS, a governação da AD está a falhar nos compromissos centrais assumidos na campanha eleitoral:
- Desaceleração do PIB: O PS sublinha que a AD prometia colocar o país a crescer acima dos 3%, mas os dados recentes apontam para um abrandamento da economia rumo aos 1,9% — refletindo a perda de ritmo das exportações e a moderação do consumo privado num contexto europeu ainda incerto.
- Inflação e Poder de Compra: Apesar da trajetória de descentralização da inflação face aos picos dos últimos anos, o PS aponta que o acumulado dos preços da habitação, dos bens alimentares e dos juros no crédito à habitação continua a pressionar fortemente o orçamento das famílias.
- Política Fiscal e Investimento: Os socialistas consideram que a estratégia de alívio fiscal sem um motor claro de investimento público corre o risco de desequilibrar as contas públicas no futuro, forçando um posterior “agravamento fiscal”.
- Discurso de “Desculpa”: Para Filipe Santos Costa, as promessas de um “milagre económico” deram lugar a um discurso preventivo de justificação para o não cumprimento das metas.
A resposta do Governo: Contas certas e alívio sem troika
Do lado da tutela, Luís Montenegro rejeita o cenário de crise e defende a sustentabilidade das escolhas do Executivo. Na sua intervenção, o Primeiro-Ministro assegurou que o país manterá uma trajetória rigorosa de redução da dívida pública — indicador essencial para garantir a confiança dos mercados internacionais e agências de rating.
Montenegro garantiu que o foco do Governo passa por baixar o IRS sobre a classe média e valorizar as pensões mais baixas de forma gradual, à medida que a folga orçamental o permita, prometendo categoricamente que a sua gestão não voltará a expor Portugal ao risco de uma intervenção externa ou de um legado de austeridade estilo troika.
